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A promoção da amamentação a nível mundial é uma resposta a um boom que surgiu nos anos 60/70 com a industrialização, a crescente importância do papel feminino no mundo laboral, enquanto efeito económico na sociedade e elemento de mudança no núcleo familiar tradicional, resultando numa mutação do conceito de tempo para a educação da criança, em consonância com um marketing pouco ético por parte das industrias produtoras de leite artificial, que passaram uma mensagem incorrecta das virtudes do leite artificial, em prol do leite natural. Em suma, verificou-se um forte acréscimo do consumo de leite artificial e também uma certa resistência (alimentada por mitos, inseguranças e razões estéticas) ao retorno da amamentação materna.
A Organização Mundial de Saúde celebrou em 2006, o 25º aniversário da adopção do Código Internacional de Substitutos do Leite Materno pela Assembleia Mundial de Saúde, a promoção do aleitamento materno e dar a conhecer o código tanto ao núcleo familiar (mãe/pai) como ao profissionais de saúde por forma a promoverem e proporcionarem cada vez mais uma informação objectiva concreta e homogénea. Sinteticamente, o código em questão apoia o aleitamento materno e pressiona os centros decisores, quer em termos governamentais, quer em termos industriais a adoptarem um marketing mais apropriado, beneficiando assim a saúde pública e não os interesses de privados.
A informação concreta e efectiva deverá ser colocada à disposição não só das mães mas de todas as grávidas, para que possam conhecer as boas práticas para um aleitamento materno com sucesso para a mãe e para o seu bebé.
Deverão ser do conhecimento geral os benefícios do aleitamento materno para a população e deverá ficar retida a ideia que esta questão de saúde pública, torna-se cada vez mais importante, pois está provado que a amamentação exclusiva até aos seis meses de vida, proporciona ao bebé um desenvolvimento mais equilibrado e uma maior imunidade.
As diferenças entre o leite materno e o leite artificial estão ligadas a questões de composição, afectivas e psicológicas de ligação com a mãe. Em termos de composição o leite materno possui proteínas, açúcar, gordura, vitaminas e água imprescindíveis para uma alimentação saudável, mas é composto ainda por anticorpos e glóbulos brancos, que são uma mais valia para o bebé em termos de defesas contra doenças e infecções que possam surgir, composição essa que os leites artificiais não conseguem proporcionar.
Outras vantagens do aleitamento materno que podem ser referidas são:
1.Desenvolvimento físico e mental do bebé beneficiado;
2. Maior facilidade na digestão, fortalecimento dos laços mãe/bebé em termos afectivos o que facilitará o desenvolvimento genérico do bebé,
3.Beneficios na formação das estruturas da face e contribui para o desenvolvimento da fala e da boca, no alinhamento correcto dos dentes.
4. Prevenção da Obesidade, Diabetes e Hipertensão Arterial.
A mãe, ao dar de amamentar, está igualmente a recolher para a sua saúde, diversos benefícios tais como:
a) Maior segurança e diminuição da ansiedade;
b) Maior facilidade na recuperação da sua linha;
c) Maior facilidade do útero regressar mais cedo ao estado pré-gravídico, bem como uma amenorreia mais prolongada;
d)Maior protecção contra o cancro da mama, o cancro do ovário, a osteoporose e a anemia.
Há igualmente outras questões, estas de ordem ecológica e económica que são de mencionar:
P A amamentação materna não necessita de latas nem de papel e torna-se muito menos dispendiosa na família, por dispensar a utilização de tetinas e biberões para este fim;
PO leite materno está sempre pronto a consumir e na temperatura ideal para a criança.
No que diz respeito a dúvidas que “assaltam” as mamãs na hora de amamentar, é importante desmistificar algumas considerações de senso comum, baseadas sobretudo na falta de segurança e confiança que a mulher possa sentir no período de puerpério, e como tal, a uma maior abertura à sabedoria popular. As principais dúvidas surgem relativamente à produção de leite e à sua qualidade. Na realidade, uma grande parte das mulheres pode produzir leite suficiente para a amamentar, pois o próprio acto induz ao estímulo das terminações nervosas que fará com que haja uma maior produção de leite, e em termos de qualidade, não se pode falar de que exista ou tenha alguma vez existido um leite fraco. O leite produzido pela mãe tem a qualidade adequada e específica para amamentar o seu bebé.
Durante a amamentação, a mãe deverá ter alguns cuidados com o processo: o bebé deve mamar primeiro num peito, e só depois de completo, se poderá oferecer o segundo. Este procedimento justifica-se pela existência, na mamada, de dois tipos de leite: o leite inicial (mais aguado e com maior quantidade de proteínas e açucares) que se transforma, progressivamente, num leite mais rico em gordura e mais calórico. Estes dois tipos de leite são essenciais ao bebé pelas suas características diferenciais e específicas.
E a amamentação depois de uma intervenção cirúrgica?
Apesar de “algumas vozes da discórdia” é perfeitamente aceitável a amamentação depois de uma intervenção cirúrgica e, ao contrário do que poderá parecer, o processo será redutor da flacidez e um excelente contributo para a tonicidade dos seios. Amamentar nestas condições específicas não representa quaisquer perigos quer para a mãe, quer para o bebé.
A importância do colostro
O “primeiro leite” pode ser considerado pelas suas propriedades imunizadoras, como a primeira “vacina” que é administrada ao bebé, bem como a importância de manter a amamentação, até mesmo quando a mãe reinicia a sua actividade profissional, através da congelação e correcta conservação do leite materno.
No nosso país, apenas o Hospital Garcia d’Orta é acreditado como um Hospital Amigo dos Bebés, ou seja que desenvolve em pleno todas as medidas para que o aleitamento materno seja preferido e promovido junto de mães e grávidas. O CHBA encontra-se na senda da Amamentação…. |